O comportamento emergente, diz Steven Johnson, é uma mistura de “ordem e anarquia”.

Um sistema emergente é um sistema que produz um movimento único em um nível coletivo, a partir de movimentos singulares em um nível individual, sem combinação prévia. Assim agem as formigas, que vivem cada uma dentro de sua tarefa individual, mas que juntas produzem um formigueiro que funciona como se fosse ele todo um só organismo. Essa característica é denominada bottom-up, ou seja: agentes de uma escala produzem um comportamento cujo padrão reside em uma escala acima deles. A emergência é o movimento das regras de nível baixo para a sofisticação do nível mais alto.
A Web é um típico sistema emergente, no qual o processo de feedback, ou seja, o das “conexões de duas vias” fomenta “a aprendizagem de nível mais alto”. A Web é um sistema aberto a infinitas possibilidades. Sem dúvida, ela também está se tornando mais inteligente. Assim, pondera Johnson, não estariam os cérebros individuais se conectando uns aos através da Web e formando “algo maior do que a soma de suas partes – o que o famoso filósofo/padre Teilhard de Chardin chamou de noosfera?”
Não há dúvidas de que os sistemas emergentes podem ser extremamente inovadores e criativos, e têm naturalmente mais capacidade para se adaptaram às novas situações do que os padrões de organização mais rigidamente hierárquicos. O novo papel da alta administração seria precisamente o de motivar os grupos e os indivíduos na organização para a geração das idéias. Os processos, a evolução e visão do futuro devem emergir de múltiplas correlações bottom-up. Para Johnson, os administradores de alta escala terão evidentemente seu lugar, mesmo nas organizações de poder mais distribuído, mas não terão mais o papel de líderes.
É possível observar este fenômeno no site Last.fm, considerado um sistema emergente pelo fato de não ter um comandante. O site organiza-se por si só. Através do cadastro dos usuários e a interação feita a partir dos seus gostos musicais, acaba sendo envolvido uma grande parcela de indivíduos e através desta interação é criado uma conexão entre os mesmo. Sendo assim, podemos dizer que o site acaba aprendendo com os usuários, pois acumula dados e os relaciona entre si. Sem dúvida, não é nada fácil pensar em termos de sistemas emergentes sem mecanismos de controle. O modelo mental tipo top-down é ainda predominante. Porém, diz Johnson, quando se trata de um sistema emergente é preciso desistir de tentar controlar. É preciso “deixar o sistema governar a si mesmo tanto quanto possível, deixá-lo aprender a partir de passos básicos”.
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