Quarta-feira 12 de setembro às 17h e17, o painel eletrônico do Senado mostrou que, por 40 votos e seis abstenções, o Senado rejeitou o projeto de cassação de seu presidente Renan Calheiros. Proposta apoiada por apenas 35 dos 41 pares que haviam garantido punir o colega. Mas, graças ao voto secreto, Renan foi absolvido.
Além do voto, a sessão também foi secreta. Se ninguém sabe quem votou no que, mais difícil ainda é saber quais foram os motivos que levaram à decisão final. O medo pode ter sido um dos principais personagens daquela tarde fatídica. Corre o boato de que o Senador Renan Calheiros havia chantagiado vários colegas. A estratégia intimidatória do presidente dizia: “Existem mais Renan’s aqui do que eu. Vocês querem que eu revele este segredo?”. Renan também amedrontou o Palácio do Planalto. Explorou o risco de a oposição assumir o controle do Senado se ele fosse apeado da presidência. A votação foi um choque negativo no combate a impunidade no Brasil.
Como podemos ver, o seu maior aliado foi mesmo o voto secreto, afinal dois dias depois do julgamento, 46 senadores, declaravam ter votado pela cassação de Renan, isto quer disser que havia pelo menos 11 mentirosos. Através desta mistura de mentira com indignação pelo resultado ressuscitou uma idéia recorrente em momentos como esse: o fim do voto secreto nos processos de cassação. Isto tornaria tão alta a possibilidade de cassações que faria com que os parlamentares pensassem inúmeras vezes antes de abrir um processo contra um colega, por corporativismo ou até mesmo medo de retaliações.
A absolvição desencadeou uma onda de protestos. A oposição, por exemplo, ameaça entrar em greve para forçar Renan a renunciar, além de considerá-lo um “cadáver político”. A verdade é que nunca conheceremos o voto de cada senador, mas estes políticos terão de passar por novas eleições. E aí será a hora de elegermos apenas aqueles que se comprometerem a lutar contra qualquer tipo de votação secreta no Legislativo. Mas, caso perdermos a chance, ficará apenas na memória o dia em que aconteceu a triste história dos senadores invisíveis.