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Entradas do Setembro 2007

A absolvição de Renan Calheiros

Setembro 17, 2007 · Deixe um comentário

Quarta-feira 12 de setembro às 17h e17, o painel eletrônico do Senado mostrou que, por 40 votos e seis abstenções, o Senado rejeitou o projeto de cassação de seu presidente Renan Calheiros. Proposta apoiada por apenas 35 dos 41 pares que haviam garantido punir o colega. Mas, graças ao voto secreto, Renan foi absolvido.

 

 Além do voto, a sessão também foi secreta. Se ninguém sabe quem votou no que, mais difícil ainda é saber quais foram os motivos que levaram à decisão final. O medo pode ter sido um dos principais personagens daquela tarde fatídica. Corre o boato de que o Senador Renan Calheiros havia chantagiado vários colegas. A estratégia intimidatória do presidente dizia: “Existem mais Renan’s aqui do que eu. Vocês querem que eu revele este segredo?”. Renan também amedrontou o Palácio do Planalto. Explorou o risco de a oposição assumir o controle do Senado se ele fosse apeado da presidência. A votação foi um choque negativo no combate a impunidade no Brasil.

 

Como podemos ver, o seu maior aliado foi mesmo o voto secreto, afinal dois dias depois do julgamento, 46 senadores, declaravam ter votado pela cassação de Renan, isto quer disser que havia pelo menos 11 mentirosos. Através desta mistura de mentira com indignação pelo resultado ressuscitou uma idéia recorrente em momentos como esse: o fim do voto secreto nos processos de cassação. Isto tornaria tão alta a possibilidade de cassações que faria com que os parlamentares pensassem inúmeras vezes antes de abrir um processo contra um colega, por corporativismo ou até mesmo medo de retaliações.

 

A absolvição desencadeou uma onda de protestos. A oposição, por exemplo, ameaça entrar em greve para forçar Renan a renunciar, além de considerá-lo um “cadáver político”. A verdade é que nunca conheceremos o voto de cada senador, mas estes políticos terão de passar por novas eleições. E aí será a hora de elegermos apenas aqueles que se comprometerem a lutar contra qualquer tipo de votação secreta no Legislativo. Mas, caso perdermos a chance, ficará apenas na memória o dia em que aconteceu a triste história dos senadores invisíveis.

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FELICIDADE REALISTA

Setembro 11, 2007 · Deixe um comentário

 por Mário Quintana

A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote
louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser
magérrimos, sarados, irresistíveis.

Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema:
queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.

E quanto ao amor? Ah, o amor.. não basta termos alguém com quem podemos
conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar
pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente
apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes
inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos
sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o
que dá ver tanta televisão.

Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.

Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você
pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um
parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando
se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção.
Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo.
Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se
sentir seguro, mas não aprisionado.
E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda,
buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e
um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável.
Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato,
amar sem almejar o eterno.

Olhe para o relógio: hora de acordar.
É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza,
instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde
só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas
desta tal competitividade.

Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as
regras, demita-se.
Invente seu próprio jogo.

Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça de que a
felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir
embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não
sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração.
Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade…

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