- aline boff -

Entradas do Julho 2007

História dos sentimentos

Julho 26, 2007 · 1 Comentário

Os Sentimentos Humanos certo dia reuniram-se para brincar. Depois que o Tédio bocejou três vezes por que a Indecisão não chegava a conclusão nenhuma e a Desconfiança estava tomando conta, a Loucura propôs que brincassem de esconde-esconde. A Curiosidade quis saber todos os detalhes do jogo, e a Intriga começou a cochichar com os outros que certamente alguém ali iria trapacear.

O Entusiasmo saltou de contentamento e convenceu a Dúvida e a Apatia, ainda sentadas num canto, a entrarem no jogo. A Verdade achou que isso de esconder não estava com nada, a Arrogância fez cara de desdém pois a idéia não tinha sido dela, e o Medo preferiu não se arriscar: “Ah, gente, vamos deixar tudo como está”, e como sempre perdeu a oportunidade de ser feliz.

A primeira a se esconder foi a Preguiça, deixando-se cair no chão atrás de uma pedra, ali mesmo onde estava. O Otimismo escondeu-se no arco-íris, e a Inveja se ocultou junto com a Hipocrisia, que sorrindo fingidamente atrás de uma árvore estava odiando tudo aquilo.

A Generosidade quase não conseguia se esconder porque era grande e ainda queria abrigar meio mundo, a Culpa ficou paralisada pois já estava mais do que escondida em si mesma,a Sensualidade se estendeu ao sol num lugar bonito e secreto para saborear o que a vida lhe oferecia, porque não era nem boba nem fingida; o Egoísmo achou um lugar perfeito onde não cabia ninguém mais.

A Mentira disse para a Inocência que ia se esconder no fundo do oceano, onde a inocente acabou afogada, a Paixão meteu-se na cratera de um vulcão ativo, e o Esquecimento já nem sabia o que estavam fazendo ali.

Depois de contar até 99 a Loucura começou a procurar. Achou um, achou outro, mas ao remexer num arbusto espesso ouviu um gemido: era o Amor, com os olhos furados pelos espinhos.

A Loucura o tomou pelo braço e seguiu com ele, espalhando a beleza pelo mundo, desde então o Amor é cego e a Loucura o acompanha.

Juntos fazem a vida valer a pena, mas isso não é coisa para os medrosos nem os apáticos, que perdem a felicidade no matagal dos preconceitos, onde rosnam os deuses melancólicos da acomodação.

Autor desconhecido.

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Até quando?

Julho 25, 2007 · Deixe um comentário

Aproximadamente dez meses que o Brasil está vivendo em uma situação absurda. Após o acidente da Gol, a crise aérea aflorou em toda sua magnitude, em um coquetel que mistura os controladores de vôo, as chuvas, os nevoeiros. E o governo Lula pede compreensão, para que possamos resolver de cabeça fria, os problemas aéreos do Brasil. E quem teve seus entes enterrados? E quem está perdendo seu direito de ir e vir, perdendo tempo nos aeroportos? Tudo isto por culpa do nosso presidente, que não está sabendo governar.
A pergunta que não querer calar, até quando isto vai durar? Também sou vítima do cancelamento de vôos e do pânico de voar por uma empresa área que não sei se posso ou devo chamar de companhia, tal circunstância pelo fato, ocorrido com o acidente do Airbus A320 da Tam. A incompetência conjuntura é do governo Lula. Jamais se viu governo que combinasse tanta papagaiada com tão pouca ação. O acidente da Gol, ficou escondido na mata e quase apagado da mente das pessoas. Ao contrário deste ocorrido numa rua movimentada, na mais movimentada cidade do país, que se converteu em um outdoor da incompetência governamental brasileira.A verdade é dura, mas em menos de um ano, foram quebrados dois recordes em matéria de vítimas em acidente aéreo. O Brasil não é um lugar onde se possa voar de modo seguro, para não falar em conforto e observância de horários. A melhor opção é não voar. Garanto que você não viu na televisão, mais um acidente da Tam, onde uma peça se soltou da turbina em pleno vôo e atravessou a fuselagem, causando despressurização e a morte de uma passageira, cujo corpo quase foi expelido do avião, através da janela. Isto ocorreu em setembro de 2001. Pois é assim como este, diversos acidentes foram “acobertados”. E mesmo assim a Tam continua dizendo que tem a melhor manutenção do mundo. Se realmente tivesse, não usaria peças “depenadas” de aviões sucateados. Também não foi divulgada a causa do acidente onde morreu o próprio dono da Tam. Ou acharam que o helicóptero novo, também não precisava da melhor manutenção do mundo?
Se você tem amor a sua vida, pense antes de voar Tam.

                            

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A DESPEDIDA DO AMOR

Julho 6, 2007 · 1 Comentário

por Martha Medeiros 

Existe duas dores de amor. A primeira é quando a relação termina e a gente, seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro, com a sensação de rejeição e com a falta de perspectiva, já que ainda estamos tão envolvidos que não conseguimos ver luz no fim do túnel.
A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.
Você deve achar que eu bebi. Se a luz está sendo vista, adeus dor, não seria assim? Mais ou menos. Há, como falei, duas dores. A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços, a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida: a dor de abandonar o amor que sentíamos. A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimento especial por ninguém. Dói também.
Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.
Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém. É que, sem se darem conta, não querem se desprender. Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir de uma época bonita que foi vivida, passou a ser um bem de valor
inestimável, é uma sensação com a qual a gente se apega. Faz parte de nós. Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso é preciso
abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo, que de certa maneira entranhou-se na gente e que só com muito esforço é possível alforriar.
É uma dor mais amena, quase imperceptível. Talvez, por isso, costuma durar mais do que a dor-de-cotovelo propriamente dita. É uma dor que nos confunde. Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra.
A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, que nos colocava dentro das estatísticas: eu amo, logo existo.
Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente.

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